O primeiro “touch screen” automóvel, em 1986
Texto e fotos: GM Media
Buick Riviera 1986 de 1986 tinha uma funcionalidade dramaticamente à frente do seu tempo: um centro de controlo com ecrã táctil no centro da consola, precursor do tipo de interface hoje presente em praticamente todos os automóveis modernos.
Conhecido como Graphic Control Center, ou GCC, este ecrã preto com texto verde e pequenos botões e cursores virtuais parecia inspirado numa estação de trabalho da NASA. O GCC controlava o rádio (incluindo um equalizador gráfico) e o sistema de climatização, ao mesmo tempo que disponibilizava computador de bordo, conta-rotações, diagnósticos de travões, funções eléctricas e grupo motopropulsor, um calendário e lembretes de manutenção. O GCC incluía ainda um modo de serviço semi-secreto, permitindo aos técnicos diagnosticar problemas no automóvel.
Botões e manípulos? Tão… 1985.
Infelizmente, o GCC não foi um grande sucesso e, embora tenha surgido em alguns modelos adicionais — incluindo o efémero Buick Reatta (que designava o sistema como Electronic Control Center) e o Oldsmobile Trofeo (com um ecrã a cores chamado Visual Information Center) —, as primeiras experiências da GM com ecrãs tácteis terminaram poucos anos após a sua estreia. A sua complexidade, bem como o reduzido tamanho dos botões virtuais, tornavam estes sistemas confusos para o utilizador comum e difíceis de operar durante a condução. Um crítico da época escreveu que o GCC do Riviera estava “destinado a transformar uma ida ao 7-Eleven numa odisseia espacial”.
Mas, convenhamos: era 1986. O mesmo ano em que William Perry e os Chicago Bears venceram a Super Bowl XX. A música mais popular era “That's What Friends Are For”, de tom melancólico. Nessa altura, menos de 10% dos lares norte-americanos tinham um computador pessoal. O GCC estava décadas à frente do seu tempo.
Isto aconteceu apenas um ano depois de a Microsoft lançar a primeira versão do Microsoft Windows como interface gráfico para o amplamente utilizado sistema operativo MS-DOS em computadores pessoais. Os ecrãs tácteis só se tornaram comuns em dispositivos informáticos quando a Apple lançou o iPhone em 2007. A mesma empresa apresentou o iPad em 2010. E os modernos ecrãs tácteis LCD só se generalizaram nos automóveis no início da década de 2010.
O Riviera de ’86 foi, possivelmente, apenas uma nota de rodapé na história de uma designação icónica. A Buick manteve uma relação de 50 anos com o nome Riviera, uma berlina de luxo baptizada em homenagem à célebre Riviera Francesa. A Buick utilizou pela primeira vez a designação Riviera em 1949, numa versão hardtop do Buick Roadmaster. Embora o nome tenha sido aplicado a outros modelos na década seguinte, só em 1963 o Riviera foi lançado como modelo autónomo. Evoluiu ao longo das décadas seguintes, com o último exemplar a sair de produção em 1999. Ainda assim, a versão de 1986 ajudou a apontar o caminho para o futuro táctil e informatizado dos automóveis modernos.










