Alfa Romeo 156 GTAm, o sonho que não aconteceu
Em 2002, a Alfa Romeo voltou a tentar algo que já antes tinha tentado, sem sucesso: transformar um automóvel de competição num modelo de estrada, ainda que em série limitada.
A base era um 156 GTA de série, profundamente modificado com componentes derivados da competição, aproximando-o do universo das corridas de turismos.
O sucesso do Alfa Romeo 156 no BTCC e ETCC
Para compreender o 156 GTAm, é essencial olhar para o histórico competitivo do modelo.
O Alfa Romeo 156 destacou-se imediatamente no British Touring Car Championship (BTCC), onde venceu o título de pilotos em 1998 com Gabriele Tarquini. Este triunfo consolidou o modelo como uma referência nas corridas de turismos.
Com a transição para os regulamentos Super 2000, o 156 tornou-se dominante no European Touring Car Championship, acumulando títulos entre 2001 e 2004. Pilotos como Fabrizio Giovanardi reforçaram o legado competitivo da Alfa Romeo.
Este sucesso nas pistas esteve directamente na origem do projecto 156 GTAm, uma tentativa de criar uma versão de estrada inspirada na competição.
Depois da Alfa Corse, o toque da N.Technology
Apesar das constantes flutuações financeiras, o Grupo Fiat teve sempre uma performance desprotiva excepcional e até dominadora, graças à eficácia e profissionalismo da Abarth Corse, a estrutura inicialmente conduzida pelo brilhante Cesare Fiorio.
Contudo, em 1996, depois da avultada factura da participação no ITC (o sucessor do DTM), o Grupo Fiat decidiu vançar para o controlo de custos com a competição duma forma avassaladora e até pouco digna da sua herança histórica, extinguindo o cargo do lendário Giorgio Pianta e colocando um ponto final na estrutura da Abarth e da Alfa Corse, no fundo dois braços de engenharia com uma origem e um passado comum.
A solução encontrada foi uma espécie de subcontratação duma estrutura que, embora próxima do Grupo era externa. A N.Technology nasceu como Nordauto Squadra Corse, posteriormente Nordauto Engineering e, mais tarde, após uma fusão com a Milantech, adoptaria o nome final.
Inicialmente, era pouco mais do que uma equipa independente e um clientes especial da Alfa Corse, mas após estas mudanças tornar-se-ia o braço operacional do Grupo Fiat na competição
Os líderes desta organização eram o casal formado pelo piloto Mauro Sipsz e a Monica Bregoli, empresários e ambos ex-pilotos e directores de equipa.
Apesar da suposta diminuição do budget disponível, a N.Technology acabaou por ser responsável por mais um capítulo de grande sucesso, com o 156 no BTCC e ETCC.
Chassis e aerodinâmica com inspiração nas corridas
O 156 GTAm não se limitava ao motor. O chassis e a aerodinâmica também foram trabalhados com base na competição:
- Suspensão derivada do 156 Grupo N
- Sistema de escape com dupla saída e melhor fluxo
- Spoiler traseiro funcional
- Difusor traseiro (efeito de solo)
- Jantes de 18 polegadas
Tudo isto contribuía para uma abordagem muito mais focada na performance do que o 156 GTA convencional.
Porque é que o Alfa Romeo 156 GTAm nunca entrou em produção?
O protótipo foi apresentado no Salão Automóvel de Bolonha de 2002, gerando forte interesse.
No entanto, após avaliação interna pelo departamento técnico da Fiat, o veredicto foi que o modelo não reunia condições para produção o que, em linguagem mais mundana, significa que as vendas expectáveis não seriam suficientes para justificar o investimento necessário..
Tal como o 155 GTA, o projecto foi cancelado, tornando o 156 GTAm num exemplar único — e num dos grandes “e se?” da história da Alfa Romeo.
Conclusão: um dos Alfa Romeo mais desejados que nunca existiu
O Alfa Romeo 156 GTAm representa tudo o que define a marca italiana: paixão, engenharia e ambição.
Mais do que um protótipo, é mais um daqueles modelos que fazem suspirar os Alfistas, que teriam rejubilado se o projecto tivesse visto a luz do dia. Poderia, seguramente, ter rivalizado com os melhores desportivos compactos da sua época, vincando um carácter mais desportivo que falta ao "normal" 156 GTA.
Hoje, o protótipo construído pela N.Technology, permanece como uma peça única, e uma das grandes surpresas para quem tenha a oportunidade de visitar a famosa cave de Arese, onde estão guardadas as reservas do Museu e alguns exemplares mais obscuros, como este, que raramente integram a exposição principal.
As imagens aqui apresentadas foram por nós captadas em Fevereiro de 2020, aquando da reabertura da cave, após profundas remodelações.






