Automóvel Histórico do Ano Motorbest 2025
Quando se coloca entusiastas em “roda livre”, não só com autorização, mas mesmo com “ordens” para conversar, todas as ideias vêm à tona.
Na última edição do podcast - que contou com a participação especial do nosso amigo e Campeão Nacional de Clássicos Legends, Luís Liberal – elegemos aquele que, na nossa opinião, é o Automóvel Histórico do Ano.
O critério único para ser elegível, é ser um modelo que, em 2025, celebre 30 anos desde a data de lançamento. Isto porque, como sabemos, o critério da FIVA para a atribuição do estatuto de Veículo de Interesse Histórico, são os 30 anos desde a data da primeira matrícula.
Assim, olhámos para todos os lançamentos de automóveis novos em 1995 e, embora todos pudessem ser escolhidos pelos participantes do podcast, a verdade é que havia uma “shortlist” de automóveis que se destacavam como possíveis vencedores desta distinção.
Entre eles estava os Alfa Romeo 145 e 146, assim como os 916 Spider e GTV. Ainda de Itália, destaque para o Fiat Barchetta, assim como os Fiat Bravo e Brava, ou mesmo o Ferrari F50.
Da Alemanha havia vários candidatos, como o BMW Série 5 E39, o BMW Z3 e o Alpina B12 ou o Mercedes-Benz Classe E W210.
O ano de 1995 foi também o do lançamento de alguns “best-sellers” como o Renault Mégane, o MGF ou a VW Sharan, na época áurea dos monovolumes.
Mas esse foi também um ano de lançamento do pioneiro dos SUV, o Honda CR-V, um modelo que viria a revelar-se muito relevante pela sua influência.
Para o António Almeida, este foi um ano em que nasceu um automóvel pouco expressivo em termos de vendas, mas no qual encontra especial significado, por aquilo que ele represente na estética, na qualidade e na exclusividade. Com o B12, a Alpina partiu de uma berlina com um nível de apuro estético e qualidade de construção que representa talvez o apogeu da BMW, mas sublimou-o, com um nível de acabamentos, de sofisticação mecânica e de performance que o tornaram num verdadeiro automóvel de sonho, difícil de superar por gerações posteriores.
Com outra opinião, mas de certa forma com os mesmos argumentos, eu escolhi como como Histórico do Ano, o BMW Série 5 E39. Para mim, é equivalente da BMW ao Mercedes-Benz W124, pela qualidade geral e pela robustez extraordinária, transversal a quase todas as versões e motorizações. A somar a essas virtudes, o E39 junta o verdadeiro prazer de condução, no tacto dos comandos, na dinâmica apurada, aspectos em que o W124 não era especialmente interessante.
Acresce às razões desta escolha o facto de o BMW E39 ter sido produzido e vendido em grande quantidade e poder vir a ser uma opção económica, popular e com grande expressão no futuro do panorama dos clássicos em Portugal.
Mas quem abriu as "hostilidades" deste debate foi o nosso convidado, e defendeu a sua escolha com fortes argumentos, colocando a fasquia no topo: pelo significado histórico, pela adopção literal de tecnologia da F1, pelo impacto cultural e pelo impacto sensorial, o Ferrari F50 foi a escolha clara de Luís Liberal.
O João Vale, conhecedor profundo do desporto automóvel e “tiffosi” assumido, teve, natural e justamente, a mesma opinião, consolidando uma vitória “fácil” do extraordinário supercarro italiano que, pela experiência analógica e “pedigree”, tem cada vez mais adeptos entre os mais sérios coleccionadores, seja pela experiência ou apenas pelo investimento...
Este acabou por ser um mote para uma conversa interessante e o primeiro de um formato que se há-de repetir. Por um lado, porque já estamos em 2026, mas também porque será igualmente interessante escolher o automóvel mais interessante nascido há 20 anos, ou há 40, 50 ou 60...





















