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Alberto Scuro é Presidente da FIVA. O que esperar?

O novo Presidente da FIVA, é também Presidente da ASI e enfrenta grandes desafios e expectativas.
Hugo Reis
21 de jan. de 2026

A eleição teve lugar na Assembleia Geral da FIVA de 2025, realizada em Salvador da Bahia, Brasil, a 23 de Novembro de 2025.

Alberto Scuro apresentou-se a eleições com um programa centrado no reforço da globalização da FIVA e numa maior interacção com os seus membros. Possui um longo percurso de actividade no sector dos veículos históricos. 

Antigo cirurgião vascular, foi eleito para o Conselho de Administração da ASI em 2011 e, posteriormente, eleito Presidente em 2019, altura em que encerrou a prática médica para se dedicar a tempo inteiro à direcção da ASI. Scuro, que irá delegar as suas funções na ASI para se concentrar exclusivamente nas suas responsabilidades na FIVA, é um coleccionador activo de veículos históricos e participa regularmente numa vasta gama de eventos, que vão desde o Le Mans Classic até à corrida Londres-Brighton.

Os desafios que esperam Scuro
Nos tempos que correm, de profundas transformações sociais e tecnológicas, este cargo tem, cada vez mais um carácter político, no sentido em que o futuro desta actividade dependerá do sucesso nas interacções com os decisores. 

O peso institucional da FIVA, inclusivamente, pela sua ligação à UNESCO, tem-lhe permitido uma eficaz defesa dos direitos e liberdades dos proprietários de automóveis antigos.

Contudo, o futuro será muito mais desafiante, especialmente à medida que a condução autónoma e a ideia utópica das “zero mortes” na estrada é cada vez mais falada e politizada. 

A FBHVC, por exemplo, já tomou medidas preventivas, abordando o Governo Britânico no sentido de garantir que qualquer futura legislação relativa à circulação de veículos autónomos, terá de prever o convívio nas estradas com os veículos históricos, acautelando os interesses de ambas as partes. 

Este é só um exemplo de que é preciso trabalhar certas problemáticas antes que elas sejam reais. Uma atitude de antecipação será fundamental para o cumprimento pleno da missão da FIVA. 

Comunicar e fazer o “marketing” do veículo antigo
A importância de Alberto Sucro no ASI - uma das maiores e mais relevantes entidades europeias do sector - talvez seja preponderante para assegurar que a FIVA encontra uma certa “genica” e protagonismo que, apesar da boa vontade, lhe tem vindo a faltar.

Dos contactos que tive com o presidente cessante, Tiddo Bresters, fiquei apenas com boas impressões, pelo seu entendimento do sector e pela credibilidade que emprestou ao cargo. 

Contudo, uma entidade que tem um papel tão crítico e tão transversal ao sector, tem de tornar o seu trabalho evidente aos olhos do público que representa, pois só assim atrai mais valores individuais, mais colectividades, mais apoios e mais representatividade. Há clubes de âmbito local que comunicam com mais frequência, com mais destaque, com mais intensidade e com mais qualidade do que a FIVA. 

Não sei se uma entidade com esta importância se pode dar “ao luxo”, de secundarizar a importância da comunicação. Precisamos todos que a FIVA apareça mais, não só aos entusiastas, mas à sociedade em geral.

O veículo histórico tem de ser tratado como um produto ou serviço. É preciso “vendê-lo” à sociedade, isto é, criar no cidadão comum uma boa-vontade face ao automóvel antigo, para que este seja não apenas tolerado, mas celerado e protegido por pessoas fora da nossa comunidade.

É preciso que a FIVA crie um trabalho intensivo, repetitivo nas mensagens, acutilante e fresco no estilo, para tornar evidente que os veículos antigos são documentos vivos de uma das maiores conquistas da humanidade – mobilidade individual – e provar com factos que o impacto do uso recreativo dos veículos históricos tem um impacto no ambiente que é imensamente menor do que o uso dos telemóveis ou de outras actividades culturais que a sociedade jamais põe em causa. 

Posso estar a ser injusto mas, como entusiasta, eu gostava que a Federação se ocupasse menos de cerimónias, convenções, comissões, homenagens e “hall of fame”, e mais de interacção e coordenação com Autoridades FIVA de cada país, de educação pública da comunidade e muito mais de comunicação. Reitero a comunicação, que tem de ser um reflexo dos tempos onde vivemos, em que até comerciantes de veículos históricos e seguradoras do sector, surgem como criadores de conteúdo de referência.

A FIVA tem de ascender a esse patamar de importância, tem de usar o seu peso institucional e recursos para colocar os olhares sobre si. Tem de ter genica, vitalidade, em suma, juventude.

Gerações do passado a cuidar do futuro 
Confesso que ao olhar para a foto de grupo dos dirigentes eleitos nesta assembleia, a juventude não transparece. Karlheinz Jungbeck, que é o novo Vice-Presidente para a Juventude e os Assuntos Culturais, tem 65 anos.

Eu acredito profundamente que a juventude não é um património exclusivo dos jovens e que, nesta equipa, poderão estar o fulgor e o entusiasmo necessários para as metas que elenquei. No entanto, serve como um sinal evidente de que também a FIVA, à semelhança da maioria dos clubes de veículos históricos, precisa de sangue novo no seu seio. Nem que seja apenas pela mensagem que isso passa aos mais novos. Que sigam o exemplo de alguns dos seus associados e representantes.

No entanto, mais uma vez digo, não basta apontar o dedo. A culpa é de todos nós, se não nos envolvermos activamente na vida social e associativa em torno da nossa grande paixão e não dermos um pouco de nós à causa, seja de que forma for.