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NSX de Senna: objecto de culto em leilão

No dia 31 de Outubro vai a leilão o mítico SX-25-59, o NSX que Ayrton Senna usava em Portugal. Poderá ser uma boa compra?
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24 de ago. de 2026

Fotos: RM Sotheby's e Ayrton Senna Official

Depois duma longa temporada no Reino Unido, o Honda NSX que a marca disponibilizou a Senna para uso pessoal em Portugal, vai voltar ao mercado. 

Será disponibilizado em leilão, em Londres,  já no dia 31 de Outubro. A RM Sotheby's avança com uma estimativa entre os 585.000 e os 935.000 euros e embora isso possa parecer bastante, recorde-se que um raro NSX-R foi vendido em 2025 no leilão de Pebble Beach precisamente por 935.000€. Era um R, mas não tinha o mais mítico piloto do mundo no seu currículo...

Sim, Senna protagonizou com ele uma das mais embaraçosas tentativas frustradas de fazer um pião alguma vez documentadas, e é muito difícil de acreditar na "fábula" segundo a qual os engenheiros da Honda aumentaram a rigidez do NSX em 50% após o teste feito por Senna - pois nem os técnicos japoneses deviam andar a dormir, nem o protótipo seria feito de gelatina. 

No entanto, não deixa de existir um link fortíssimo entre Senna e o NSX e, à excepção do protótipo conduzido em Suzuka (que provavelmente já não existe, nem os sapatinhos de pala) nenhum outro exemplar tem maior vínculo documentado com o piloto.

Eis a história com que o lote é anunciado: 
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Meias brancas, mocassins castanhos, reduções perfeitas com ponta-e-calcanhar e um ponteiro do velocímetro que ultrapassava a escala no circuito de Suzuka. Se pensar em Ayrton Senna ao volante de algo que não fosse um monolugar de Grande Prémio, é ao volante do Honda NSX que provavelmente o irá imaginar.

O tricampeão do Mundo de Fórmula 1 começou a estreitar a sua relação com a Honda em 1987. A marca japonesa substituiu a Renault no fornecimento do V6 turbo de 1,5 litros à Team Lotus, e Senna soube tirar extraordinário partido dos cerca de 1.000 cavalos de potência para terminar a temporada com duas vitórias e o 3.º lugar no campeonato. Esse desempenho abriu caminho à sua contratação pela McLaren, também equipada com motores Honda, em 1988. Nessa temporada, derrotou o seu experiente companheiro de equipa, Alain Prost, conquistando o seu primeiro título mundial de pilotos ao volante do absolutamente dominante MP4-4.

Entretanto, longe do paddock da Fórmula 1, Senna desempenhou um papel célebre na evolução do “New Sportscar Experimental” da Honda, enquanto a marca procurava rivalizar com Ferrari e Porsche através da criação de um automóvel de altas prestações que pudesse realmente ser conduzido e desfrutado todos os dias. Durante os ensaios do protótipo, Senna considerou que o chassis era “um pouco frágil”. O seu feedback preciso levou a Honda a aumentar em 50 por cento a rigidez da estrutura e a aperfeiçoar a afinação da suspensão.

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No início de 1991, Senna já contava com dois títulos mundiais de pilotos de F1 e preparava-se para disputar uma temporada que lhe daria o terceiro. Ao abrigo de um acordo entre a Honda Motor Company e o piloto, a Honda disponibilizou-lhe um NSX para utilização pessoal. Além de dois exemplares pretos, encontrava-se o chassis número T000233, agora aqui apresentado. Pintado em Formula Red, com tejadilho preto contrastante e interior em pele preta, foi importado pela Honda Automobil de Portugal e matriculado a 22 de Março de 1991 com a matrícula “SX-25-59”. O NSX ficava guardado em Lisboa e era entregue a Senna sempre que este chegava ao país.

Senna utilizou claramente o automóvel durante a etapa europeia da temporada de 1991, tendo o ícone da F1 adquirido uma propriedade no empreendimento da Quinta do Lago. Deslocava-se ao Grande Prémio de Portugal, no Estoril, ao volante do chassis T000233, numa corrida para a qual se qualificaria em 3.º lugar e terminaria em 2.º. O automóvel viria ainda a surgir no documentário de 1992, *Ayrton Senna: Racing Is In My Blood*, com Senna a largar a embraiagem e a fazer patinar as rodas traseiras diante das câmaras. Talvez a imagem mais célebre associada ao “SX-25-59” seja aquela em que Senna, de jeans e camisa abotoada, lava o automóvel com uma mangueira.

Dez meses depois da morte de Senna em Imola, segundo o certificado de registos que acompanha o automóvel, emitido pela Conservatória do Registo Automóvel de Lisboa, o NSX foi registado na capital portuguesa, em Fevereiro de 1995, por Laboa Etablissement. Um fax da Honda, que confirma a proveniência do automóvel associada a Senna — posteriormente reafirmada pela Honda Motor Europe — refere ainda que, em Setembro de 1997, o NSX se encontrava aos cuidados do próprio concessionário da marca, a Nipomotor. Em Novembro de 2009, foi adquirido pelo proprietário da MSCAR Comércio de Automóveis, S.A., com sede na cidade algarvia de Faro, antes de ser comprado pelo Sr. Robert McFagan em 2013. Este mandou transportar o automóvel para o Reino Unido, onde foi matriculado para circulação rodoviária em Maio de 2016.

Em 2019, o NSX regressou de forma particularmente emotiva a Imola, assinalando os 25 anos sobre o acidente fatal de Senna naquele circuito italiano, tendo o fundador da equipa Minardi de F1 e director do circuito, Giancarlo Minardi, assumido o volante. Posteriormente, o automóvel regressou ao seu país de origem, depois de ter sido adquirido em 2024 pelo actual proprietário, que o colocou à venda, em Nagoya, no Japão. Regressou entretanto ao Reino Unido para ser apresentado à venda pela RM Sotheby’s no The London Auction.

Nenhum automóvel de estrada está tão associado à vida da lenda da Fórmula 1 Ayrton Senna como o NSX. Mas a oportunidade de possuir um exemplar que a própria Honda lhe disponibilizou para utilizar e desfrutar pessoalmente é verdadeiramente imperdível. Registado em filme e em fotografias icónicas, o chassis T000233 está pronto para ser apreciado por um novo entusiasta do automobilismo.

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