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Ferrari Luce por 35 milhões: o espectáculo continua.

Enquanto todos criticam o Ferrari eléctrico, a marca diz-nos que os números nunca mentem. Ou será que mentem? Eis uma análise rápida, crua, desagradável.
Hugo Reis
16 de ago. de 2026

A venda aconteceu esta noite, com lucros a reverter para beneficência e com impostos dedutíveis. 

O modelo vale 600.000€ antes de impostos e extras. A licitação começava no milhão de dólares, ou seja, cerca de 860.000€. 

O leilão durou, no total, 4.02 minutos, mas só houve 2.51 minutos entre a primeira e a última licitação, que foi de 40 milhões de dólares, ou seja, 35,2 milhões de euros.

É tido como certo nos círculos dos conhecedores, que o comprador, que permanece oficialmente anónimo, é o mesmo que adquiriu o Ferrari SP3  por 22,5 milhões no leilão do ano passado.

Na plateia estavam Piero Ferrari e o neto de Enzo com o mesmo nome, além de outros nomes sonantes da Ferrari. Ninguém deixava que o leilão do primeiro Luce fosse um fiasco, pois não?  

Números
Depois da péssima recepção pública que o EV teve, a Ferrari apressou-se a anunciar que já tinha vendido todas as unidades disponíveis para o mercado chinês em 2026 (como se alguém acreditasse que há um limite de unidades). Mais adiante dizia-se que eram 88 unidades...

A produção total prevista para 2026 está oficialmente esgotada. Quantos são? 500... para o mundo inteiro. E nunca saberemos se, mesmo assim, foram todos efectivamente comprados, se os concessionários foram forçados a encomendar alguns, ou se alguns compradores interessados em entrar nas listas de espera das versões limitadas não tiveram no Luce um "fura-filas".

No entretanto, a Ferrari obtém com isto a validação pública de que precisa para vender mais unidades e limpar a imagem, encaminha o dinheiro para boas acções, enriquece a leiloeira, enche páginas e todos ficam felizes.

Para onde foi o dinheiro?
Nos comentários das redes sociais repete-se a palavra "lavagem". É uma ingenuidade achar que para fazer esta compra disparatada tem de haver ilegalidades. Basta que o coleccionador - ou investidor - tenha planeadas algumas compras de novos Ferrari especiais num futuro próximo, para que a marca possa compensar esta alma caridosa (afinal foi um leilão de beneficência) pela sua generosidade. Não só com descontos, como com um lugar especial na fila de espera. 

O que é que isto diz da Ferrari?
Que é um negócio muito bem adaptado à realidade dos nossos dias, em que a vida dos negócios, tal como a vida de certas pessoas influentes, é muito visível, mas ao mesmo tempo pouco transparente ou genuína. Resta-nos encolher os ombros e contentarmo-nos com o facto do negócio estar de boa saúde.

Longa vida à Ferrari.