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Está a chegar a 50ª Retromobile!

Está prestes a começar a 50ª edição da Retromobile e a Motorbest estará presente. Aqui fica a retrospectiva de 2025.
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7 de jan. de 2026

Em 2025 aconteceu a 49ª edição do maior importante de clássicos da Europa e, actualmente, do mundo, já que nesta edição foi anunciada a Retromobile USA, a realizar-se já este ano, em parceria com a duPont Registry. 

Neste mês celebra-se a edição 50. Em qualquer evento, esse marco histórico justificaria uma edição especial, com conteúdos ainda mais extraordinários. No entanto, para quem vai visitando e seguindo a Retromobile, começa a ser difícil imaginar como se consegue elevar ainda mais a fasquia. 

O mediatismo e popularidade do salão, ajudados também pelas máquinas de comunicação dos próprios expositores, alcançam hoje proporções difíceis de superar. Apesar dos cinco dias de portas abertas, o espaço é cada vez mais insuficiente para as enormes multidões, mesmo tendo em conta que dois dos grandes leilões integrados no salão acontecem fora do recinto Porte de Versailles. 

Fasquia elevada
Para qualquer clube ou marca, participar na Retromobile é uma responsabilidade, tal é o nível de expectativa gerado e a importância dos visitantes. O salão é visitado por toda a imprensa especializada, pelos maiores coleccionadores e até por muitas figuras públicas, especialmente do meio da competição automóvel ao mais alto nível. Todo os anos, estrelas do passado e presente da F1, do WRC e do WEC, visitam os pavilhões, atraindo a imprensa mundial.

Essa é também uma pressão adicional para a organização, pois é certo que há anos em que, seja pelas celebrações daquela edição, seja pela oferta dos expositores, seja pelo conteúdo dos leilões, atingem-se picos de qualidade que fazem com que a edição seguinte pareça menos interessante, apesar de continuar a ser o melhor espectáculo automóvel do ano. 

A qualidade, pode ser um fardo e, por isso, a nossa percepção é a de que era difícil superar a edição de 2024, em que se celebrou o aniversário do Dakar, o aniversário da MG, o centenário do circuit de Monthléry e, em todos, a organização brilhou. Desta forma, sem perder qualidade, 2024 acaba talvez por ser um ano menos impressionante.

O trunfo dos grandes “players”

Para os comerciantes, esta é uma oportunidade de excelência para vender um exemplar excepcional, mas também para construir ou sustentar a sua reputação. 
Por isso, graças a eles, o visitante sabe sempre que a visita ao salão vai valer a pena, mesmo que venha de longe. 

A centralidade do salão parisiense, dá-lhe um potencial praticamente inigualável, o que faz com que os comerciantes apostem tudo.  

Começando por Simon Kidston, este fez de um dos seus automóveis de eleição a estrela do seu espaço. O McLaren F1 branco ficou num pedestal, posição que no ano passado ficou reservada a um Ferrari 250 GTO branco. Na verdade, face aos valores que os F1 atingiram, e o seu impacto cultural, é justo dizer que é o automóvel da era moderna que mais merece esse nível de destaque, mas não era o único “hiper-carro” presente. Mais atrás, estava outro McLaren o P1 e um Bugatti Veyron. Mas havia mais para ver, como os raros Ferrari 275 GTB e 365 GTB, ambos em versão “NART”, ou seja, descapotáveis, um Carrera 2.7 RS, um Lancia Flaminia Super Sport ou um Facel Vega. Uma curiosidade é o facto de Kidston ter apresentado um espaço totalmente diferente de anos anteriores, enquanto a maioria dos seus concorrente, tendem a manter a estrutura mais ou menos inalterada durante alguns anos, como o é o caso da Girardo & Co. 

Este ano, Max Girardo voltou a preencher o seu espaço exclusivamente com modelos Ferrari, todos eles extraordinários, com lugar de destaque para o 250 GT SWB, segundo classificado do Tour de France de 1960. Talvez ainda mais excepcional era a dupla de 340 México: um deles o único exemplar Spyder fabricado e o outro era o famoso exemplar Berlinetta fabricado para a corrida Panamericana de 1952 e que foi pilotado por Alberto Ascari e também por Carrol Shelby. A representar outro momento extraordinário da história da marca, estava o 550 Maranello Prodrive que alinhou nas 24H de Le Mans cinco anos seguidos. 
Sem dúvida impressionante era o lote de máquinas apresentado pela Fiskens. Para os aficionados da F1, o McLaren M26 usado por James Hunt em 1976, mas que também foi pilotado por Jochen Mass. Outra peça com historial tão ou mais imponente, era o Jaguar C-type que foi comprado novo por Juan Manuel Fangio e que recentemente foi propriedade de Jenson Button, que o pilotou em inúmeras provas históricas. Este exemplar alinhou nas Mille Miglia e Targa Florio históricas, no GP Histórico do Mónaco, no Goodwood Revival e no Le Mans Classic.

No mesmo espaço esteve ainda o Ford GT40 #P1018, exemplar de demonstração que Carrol Shelby manteve durante vários anos e que só começou a competir neste século.

A geração mais recente esteve representada por um Mercedes-Benz CLK GTR oficial da categoria GT1 e por um dos Audi R8 LMP 900 ex-Team Joest, pilotado, entre outros, por Tom Kristensen e Dindo Capello. 
Não poderia deixar de ser mencioanada a presença do importante Jaguar E2A, o protótipo de competição, de exemplar único, que viria a ser o mote para a criação do Jaguar E-type. 

Mas nem só de britânicos se faz o espectáculo e há sempre que mencionar algumas presenças verdadeiramente espantosas, como a da suíça Lukas Hüni AG, que este ano marcou os visitantes com a presença de um Ferrari 250 TR “pontoon fender”, um Jaguar D-type, um Alfa Romeo 6C, um Lancia Stratos ex-fábrica e um Aurelia B20 GT que conta no currículo com uma participação Liège-Roma-Liège.
Ainda no tema dos automóveis de competição, a Ascott Collection levou até Paris um espectacular Sauber Mercedes C8 ex-Pescarolo e um Jaguar XJR-12.

Os fãs dos automóveis pré-guerra e, em particular, da Mercedes-Benz, puderam deleitar-se com o espaço de Axel Schuette, que contava com um exuberante 680 S Saoutchik Roadster, um 540 K Spezial Roadster Mercedes-Benz, um 500 K Spezial Roadster e ainda um 710 SS Cabriolet, um conjunto que dificilmente se conseguirá voltar a ver reunido num só espaço. 
No espaço da empresa luxemburguesa Art & Revs, a oferta era igualmente impressionante, reunindo um Porsche 908 LH, um Bugatti EB 110 e um já famoso Ferrari F40 em azul claro metalizado (chassis #94647) e ainda um elegante Aston Martin DB5 em versão “shooting brake”.

Sempre com um conjunto de máquinas que vão dos hipercarros modernos até aos clássicos mais extraordinários, a Messina Classics levou a Paris nada menos do que o Porsche 917 #003, mas também um Ferrari 250 GT California e um Lancia Delta S4 Stradale prateado. Destaque ainda para o 911 Carrera SC “Almeras” de Jean-Luc Thérier usou no Rali de Portugal de 1982.

Este ano esteve presente, com uma mostra imponente, uma empresa que já conhecíamos dos salões italianos, a Ruote de Sogno. De entre os vários modelos de sonho em oferta, realce para o excêntrico Ferrari 166 Zagato, e para um trio notável de Abarth, compost por um 1300 OT, um 1000 SP e um 2000 Sport Tipo SE 010.

Marcas a animar a festa
A presença oficial dos construtores é sempre um dos motivos de interesse do salão, pois cada marca tenta “puxar dos galões”, trazendo a palco algumas das duas mais preciosas máquinas do passado, normalmente com o propósito de promover algum lançamento recente. 

Naturalmente, a exposição dedicada aos 70 anos do DS, ficou a cargo da DS, a marca “spin-off” da Citroën, que aproveitou a ocasião para apresentar o estranho DS8.

A Renault, estando focada em fazer renascer modelos do seu passado, como o 5, o 4 e o Twingo, agora em versões eléctricas, não perde oportunidade de usar a Retromobile com palco. A marca trouxe ao salão um concept car de nome Filante, que de destina a alinhar na Bonneville Speedweek em busca de records de velocidades para juntar àqueles que acumulou no passado. É o caso do 40CV, que fez uma média de 173,649km/h durante 24 horas no circuito de Montlhéry, em 1926, e ao qual a a Renault foi buscar inspiração para a estetética do novo Filante.

A Mercedes-Benz, como sempre, promoveu o seu serviço Classic, com foco especial nos SL, mas também com a presença de um exemplar do extraordinário C111. 

A Mazda celebrou em Paris os 35 anos do MX-5, com uma exposição interessante, mas muito reduzida, em que figuravam um raro NB Coupé e o NC Superlight Concept como principais curiosidades.

Conclusão
Por vezes, são as celebrações de cada ano que acabam por dar um toque especial a uma dada edição, pois são as exposições temáticas que acabam por diferenciar o evento de ano para ano. Por isso, embora este ano tenhamos saído da Retromobile menos arrebatados do que no ano anterior, é justo dizer que o nível se manteve no registo habitual. Mantemos o apetite para 2026 e lá estaremos.